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Nesse caso, apenas alguns raríssimos planetas poderiam desenvolver formas de vida que ultrapassassem o complexo estágio unicelular. Lembramos que a Terra precisou de 3 bilhões de anos para proporcionar condições geo-bio-químico-físicas indispensáveis ao surgimento da vida unicelular.
Suponhamos que uma estrela vizinha do nosso Sol, chamada Procyon, que é 1,4 maior que ele, tivesse orbitando em seu redor um planeta gêmeo da Terra. Poderia ter surgido vida orgânica nos oceanos deste distante planeta hipotético, desde que ele sobrevivesse as fases de gigante vermelha, da estrela anã branca que é companheira de Procyon.
Nesse momento seria bem possível que um aparato molecular complexo estivesse evoluindo sobre a crosta do nosso hipotético planeta, de modo semelhante como ocorreu na Terra há 2 bilhões de anos. Infelizmente, esse desenvolvimento evolutivo seria interrompido prematuramente. Os dias de vida de Procyon, como estrela normal que queima hidrogênio para produzir luz e calor estão próximos do fim. Dentro de apenas algumas centenas de milhões de anos ela crescerá muito de tamanho, transformando-se numa gigante vermelha, incinerando e esterilizando qualquer tipo de planeta que estiver orbitando em seu redor.
O terceiro grande marco que levou ao desenvolvimento dos seres inteligentes no planeta Terra, foi. o surgimento de organismos multicelulares. As grandes formas de vida, que coordenam células com funções especializadas, surgiram pela primeira vez na crosta da Terra há cerca de 800 milhões de anos, quando o nosso planeta já possuía cerca de 3,8 bilhões de anos de idade. A fauna de Ediacara, assim denominada em referência aos montes Ediacara, na Austrália, onde foram encontrados os fosseis mais famosos dessa era, parece ter apenas um parentesco distante com as plantas e animais atuais. Esses organismos de Ediacara, amiúde semelhante em seus aspectos de forma a travesseiros e colchões de ar, aparentemente flutuavam na superfície oceânica ou habitavam as águas mais profundas, levando vida sedentária dos animais que se alimentam através do processo de filtração da água. A fauna de Ediacara talvez represente uma solução evolutiva alternativa, e que acabou não tendo sucesso, para o problema de coordenar um grande número de células num único organismo. É possível que esses seres exóticos tenham sido dizimados pelos primeiros ancestrais vermiformes e predadores dos filos animais atuais.
A linhagem dos animais complexos remonta claramente à chamada explosão cambriana ocorrida há 540 milhões de anos. Durante um período de tempo compreendido entre 10 e 20 milhões de anos, um surto intenso de especiação gerou os membros mais antigos que se tem conhecimento em quase todos os filos animais atualmente representados em nosso planeta Terra. A combinação de acontecimentos que defragou a explosão cambriana continua a ser um mistério, e muitas perguntas fundamentais ainda não foram respondidas a esse respeito. Acima de tudo precisamos ten certeza se o prazo evolutivo de quatro bilhões de anos, conforme ocorreu na Terra, é ou não realmente necessário para que organismos basicamente unicelulares atinjam um ponto evolutivo em que seja possível o surgimento de formas mais complexas de vida. Será que todo esse tempo foi necessário, ou a explosão cambriana simplesmente representou o desfecho de um conjunto aleatório de eventos desencadeantes que poderiam ter ocorrido muito antes na história da Terra?
Comparando a atual idade da Terra, 4,6 bilhões de anos, a evolução desde a explosão cambriana até os nossos dias se deu com muita rapidez. Será que esse feito foi pura sorte, ou a criação da inteligência animal estava praticamente garantida, desde que existisse vida multicelular complexa? Não sabemos, ainda. Mas, a resposta é crucial, particularmente para as pesquisas em andamento sobre a existência de vida igual a nossa fora do Sistema Solar. Na maioria dos exames sobre inteligência extraterrestre, o ponto de partida consiste em estimar o número de civilizações inteligentes que podem existir atualmente na nossa Via Láctea. Esse tipo de estimativa envolve muitos parâmetros da Astronomia, da Biologia, da Química, da Física e da Antropologia.
Para se calcular o número de estrelas da Via Láctea que se adequariam a possuir planetas em seus redores, em condições de abrigar vida semelhante a dos humanos da Terra, adota-se o nosso conhecimento como base e exige-se que eles tenham um mínimo de 4,5 bilhões de anos, para terem tempo de desenvolver todas as etapas evolutivas das criaturas inteligentes. Como as estrelas precisam viver tempos relativamente longos, elas necessitam ser relativamente pequenas. Assim, a maior estrela capaz de sobreviver por um longo período de tempo, capaz de promover condições de vida em um de seus planetas associados, deve ter, no máximo, 1,5 vêzes o tamanho do Sol. Além disso, essas estrelas não podem possuir companheiras binárias capazes de romper as órbitas estáveis dos planetas. Levando-se em conta essas exigências a Via Láctea abriga cerca de 10 bilhões de estrelas adequadas, en quanto todo o nosso Universo observável contempla cerca de 10²² (dez sextilhões) delas.
Um segundo fator a ser considerado é determinar, entre essas estrelas, quais delas possuem efetivamente sistemas planetários. Nos últimos 10 anos descobriram-se vários sistemas planetários fora do nosso sistema solar, mas ainda na nossa galáxia Via Láctea. À medida que se vão descobrindo outros planetas extra-solares, a fração de estrelas providas de planetas vai se aproximando da unidade.
Apenas uma fração das estrelas adequadas e com sistema planetários tem um deles semelhante à Terra, descrevendo uma órbita capaz de sustentar vida biótica inteligente. Os planetas parecidos com a Terra, ao contrario do que muitos imaginam, não são difíceis de se formar. Nosso próprio sistema solar contém quatro planetas de tipo terrestre. Todos os planetas gigantes de nosso sistema solar, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, são acompanhados por um conjunto de luas rochosas que, possivelmente, formaram-se por um processo semelhante ao dos planetas terrestres. Assim, dada a facilidade de produção de planetas rochosos a simples estatística afirma que uma boa porção deles deve viver em órbitas habitáveis. Usando-se uma estimativa conservadora da faixa de raios habitáveis, calcula-se que 1% das estrelas adequadas e dotadas de sistemas planetários tenham planetas parecidos com a Terra, circulando em órbitas habitáveis. (continua)
WLADIMYR SANCHEZ, é físico formado pela USP, engenheiro mecânico formado pela Universidade Mackenzie, engenheiro nuclear, formado em Oak Ridge, USA, engenheiro civil, pela UNESP. É Mestre e Doutor em Ciências, pela USP e PhD em Gerenciamento de Recursos Hídricos, pelo MIT, USA, Presidente do Instituto de Pesquisa e Ensino da Cultura Espírita - IPECE.
São Paulo, Outubro de 2003
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