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O primeiro passo é definir vida. O que é vida? Quantos tipos de vida existem? Será que é preciso acrescentar sempre um qualificativo depois da palavra vida para deixar claro ao leitor o que se esta pretendendo dizer?
Vamos iniciar pelo conceito de vida orgânica. Segundo o Novo Dicionário Aurélio da língua portuguesa "vida é o conjunto de propriedades e qualidades graças as quais animais e plantas, ao contrario dos organismos mortos ou da matéria bruta se mantém em continua atividade, manifestada em funções orgânicas bem definidas como tais, como o metabolismo, o crescimento, a reação a estímulos, a adaptação ao meio e a reprodução da espécie."
Consideremos agora outras definições de vida, segundo o mesmo dicionário, tais como: 1) o espaço de tempo que decorre desde o nascimento até a morte, de um evento qualquer; 2) estado ou condição do Espírito depois da morte do corpo humano; 3) atividade que se desenvolve em determinado setor, quer como ocupação individual, quer como ocupação de grupo; 4) o que é essencial para que algo subsista; 5) o que representa força, ânimo, entusiasmo, movimento; 6) o que sendo inanimado transmite idéia de vida;
É importante notar que as seis definições de vida, acima enunciadas, têm em comum um único evento: movimento. Em outras palavras, é o movimento que caracteriza o conceito de vida, qualquer que seja ele.
A partir dessa conceituação, fica mais fácil compreender o raciocínio de Kardec, quando afirma que "por toda a parte a vida e o movimento". Mas, o que quer ele dizer com as palavras "toda a parte" ? Toda a parte da Terra ou toda a parte do Universo? Se for toda a parte da Terra a questão acima referida torna-se mais simples de compreensão. Se for toda a parte do Universo ela é mais complexa. Vamos nos ater ao sentido de que, Kardec quer se referir a existência de vida espiritual, por todo o Universo. Mas, como o Espírito humano não vive no nosso Universo sem a proteção de seu corpo perispiritual associado, ele, mesmo invisível aos sentidos grosseiros dos humanos, deve se manifestar como tal. Assim sendo, vamos procurar compreender se existe, ao longo do nosso Universo, planetas que permitem a existência de vida orgânica tal como a conhecemos, por estarmos nos referindo a "Espíritos humanos", independentemente da forma e do tipo de corpo que ela sustenta.
Durante algum tempo pensou-se que um planeta que órbita uma estrela de massa relativamente grande, como Deneb, na Constelação do Cisne, pudesse abrigar uma civilização alienígena, provavelmente mais evoluída que a da Terra. Quando os astrofísicos terminaram de realizar seus cálculos surgiu a grande decepção para os leigos. Uma estrela cuja massa equivale a dez vezes a massa do Sol, como Deneb, vive apenas dez milhões de anos antes de se destruir, transformando-se numa supernova.
Se um planeta semelhante a Terra orbitasse Deneb , a sua superfície permaneceria derretida ou com solidez precária , e estaria sujeito a uma intensa radiação ionizante , vinda desta estrela que mataria todos os habitantes semelhantes aos humanos que dele fizessem parte. Esse planeta em potencial pertenceria a um sistema extra solar ainda em plena formação. Num sistema assim, ainda não se haveria passado tempo suficiente para o desenvolvimento de qualquer tipo de vida orgânica, como definido anteriormente, muito menos de uma civilização alienígena mais inteligente em relação a que hoje vive na crosta da Terra.
Duas linhas de comprovação sugerem que é preciso um longo tempo para que surjam civilizações mais avançadas que a terráquea. Embora a terra exista há 4,5 bilhões de anos, praticamente todo esse tempo passou antes da ascensão evolutiva dos seres humanos. A primeira civilização tecnológica do planeta existe a menos de uma centena de anos. Portanto, no único exemplo que nos é conhecido e que nos serve de paradigma de comparação, a evolução da inteligência necessita de 1,5 bilhão de anos para passar do ser unicelular, na forma da bactéria leptótrix, ao ser constituído de cerca de 150 trilhões de células, que é o homem. A segunda pista é que não temos indícios da existência de nenhuma outra civilização. Em particular, nenhuma civilização extraterrestre, mais ou menos evoluída entrou em contato objetivo com a nossa, embora o campo seja exaustivamente explorado pelos autores de ficção cientifica que alimentam uma formação de opinião consistente, assentada na filosofia do senso comum. Se as civilizações tecnológicas adiantadas pudessem surgir com a facilidade que os leigos imaginam, em períodos curtos, de tempo seria de se esperar que alguma estrela relativamente próxima transmitisse sinais detectáveis que os possantes radiotelescópios terrestres captariam, por menor que fosse a intensidades deles. Assim, o silêncio universal pétreo é um grande argumento lógico a favor dos requisitos de prazos muito prolongados para o desenvolvimento de uma civilização de alta tecnologia, que pudesse viajar de um ponto a outro distante, da galáxia.
Que combinação de avanços sucessivos leva a uma civilização e quanto tempo é necessário, em termos razoáveis, para cada passo indispensável á sua formação? Antes de tudo, para que o processo se inicie, é preciso que surja a vida orgânica primitiva. Por vida orgânica primitiva estamos nos referindo as estruturas mais simples que sejam capazes de reprodução, e de seleção natural, como por exemplo, a bactéria leptótrix. De acordo com esse conceito, um vírus, por exemplo, constituiria um tipo de forma primitiva de vida na Terra. Curiosamente, os vírus parecem ter surgido mais tardiamente do que as primeiras células e primeiras leptótrix. Seja como for, existe vida orgânica primitiva na Terra desde tempos muito remotos. As mais antigas rochas sedimentares conhecidas que contém fosseis mostram que, perto da costa meridional da África, a vida florescia há quase 3 bilhões de anos. Mas, o primeiro ancestral realmente semelhante ao Homo sapiens-sapiens. Atual foi o Homo erectus que surgiu na crosta da Terra há um milhão e oitocentos mil anos, o que é um tempo relativamente pequeno, quando comparado com o 4,5 bilhões de anos que correspondem a idade da terra.
Se todas as estrelas fossem três vezes maiores que o Sol, elas viveriam apenas meio bilhão de anos e a vida orgânica jamais conseguiria progredir em qualquer planeta que orbitasse estrelas desse tipo. No máximo, poderia se chegar ao estagio do surgimento de células eucarióticas complexas, ou seja, células portadoras de citoplasma e núcleo. A vida orgânica na Terra exigiu mais de três bilhões de anos para desenvolver o aparato molecular fantasticamente complexo que atua nas 150 trilhões de células eucariontes que formam nosso corpo humano. Durante a maior parte dos 4,5 bilhões de anos a vida orgânica permaneceu primordialmente no estagio unicelular, enquanto se tornava gradativamente mais complexa no nível molecular. Uma ameba unicelular, por exemplo, é infinitamente mais sofisticada que uma bactéria unicelular E. Coli, presente nas fazes dos seres humanos. (continua no próximo núcleo 14, 15, 16...)
WLADIMYR SANCHEZ, é físico formado pela USP, engenheiro mecânico formado pela Universidade Mackenzie, engenheiro nuclear, formado em Oak Ridge, USA, engenheiro civil, pela UNESP. É Mestre e Doutor em Ciências, pela USP e PhD em Gerenciamento de Recursos Hídricos, pelo MIT, USA, Presidente do Instituto de Pesquisa e Ensino da Cultura Espírita - IPECE.
São Paulo, Setembro de 2003
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